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03/04/2007 12:02
Atenção!
Este número mudou. Anote, por favor, o novo número:
www.le-croissant.blogspot.com
** Claro que eu não sei fazer link **
enviada por Pequena
09/02/2007 14:12
BabyTube
enviada por Pequena
10/01/2007 16:10
Os gêmeos e os chatos que acordam

Desse mal eu não sofro, mas tenho pena dos tímidos que são pais de gêmeos. Porque é simplesmente impossível passear incólume com eles a tiracolo pelo menos quando se tratam de gêmeos foférrimos, como é o caso dos meus pequenos.
As pessoas têm uma curiosidade estranha por eles, como se tivessem vindo de outro planeta. São tantos olha, gêmeos! que eu nem paro mais pra mostrar. Só quando a pessoa é muito enfática. Ou quando ela nos persegue e embosca o carrinho. Ou quando são criancinhas. Ou quando eu estou num dia muito exibida. O que não é nada raro.
O chato nem é ficar parando de cinco em cinco minutos a cada passeio no shopping. É ter de responder sempre as mesmas intermináveis perguntas. São gêmeos mesmo? (dãr!) São dois meninos? São univitelinos? Estão com quantos meses? Como eles se chamam? Ah, e o que é isso na testinha desse aqui? Socuerro!
Tudo bem, mau humor da minha parte. É legal, a gente se sente até meio famoso, como diria minha sobrinha de Recife. De todos os chatos que abordam, só um tipo é realmente imperdoável: o chato que acorda. Que não se contenta de espiar os dois anjinhos dormindo e conversa, do lado do carrinho, até pelo menos um dos dois abrir seus olhinhos para o mundo.
Olha, pais de gêmeos realmente têm trabalho para fazer os dois nenês dormirem ao mesmo tempo. Isso quase nunca acontece. E pais de gêmeos que passeiam sozinhos (o que é o nosso caso) só conseguem almoçar, jantar, ir ao banheiro ou ter uma conversa coerente nesses raros momentos.
Então, se aproxime, se quiser. Faça comentários fofos. Mas, por favor, não acorde os gêmeos.
enviada por Pequena
24/11/2006 11:48
Mãelhação

É isso mesmo. Esqueça tudo o que você sabe sobre mulheres virarem mães e embarangarem. Isso só acontece com pessoas sem noção. Sim, é possível reverter a maternidade de maneira a melhorar sua aparência, e não destruí-la de vez.
O primeiro nesse sentido é controlar a alimentação durante a gravidez. Não use a desculpa de que está comendo por dois ou, no meu caso, por três. Até porque isso é desculpa, mesmo, e das furadas. Be true to yourself e faça bem ao seu bebê: coma coisas saudáveis e faça uma malhação para grávidas.
Depois, quando eles chegarem, seja uma mãe dedicada. Amamente. Tem coisas que só a amamentação pode fazer por você. Liberar o consumo de doces sem riscos de ganhar peso é uma delas.
Mas, cuidado: não coma chocolates. Seu bebê vai realmente chorar de cólicas. Mas, no fundo, zelar pelo bem da barriga do seu bebê tem suas vantagens sem chocolates você perde ainda mais peso. E isso é ótimo.
Seja uma mãe gente boa. Pegue seu bebê no colo várias vezes por dia. Isso pode render crianças mimadas no futuro (eu ainda não cheguei lá para saber). Mas certamente garantirá bíceps e tríceps nunca antes imaginados.
Quando estiver estressada pelos choros do seu pequeno, arrume alguém que cuide dele por uma hora e saia para correr. Você espairece a cabeça e de quebra... não preciso nem falar, né?
Tem mais uma coisa: virar mãe equivale a uma plástica grátis e indolor de face. Seu sorriso muda completamente e até você passa a se achar mais bonita nas fotos. É que você está amando e as pessoas que amam são mais belas.
enviada por Pequena
25/10/2006 13:10
Intimidade
Antes de eles nascerem alguém tinha me alertado para a idealização do amor materno. Que não seria essa coisa instantânea e fácil de propaganda de fralda. Que, como em qualquer outro amor, seria algo conquistado, construído dia após dia. Cheguei na sala de parto devidamente prevenida, mas vou te dizendo que comigo foi exatamente como está no script. Minha paixão pelo João e pelo Pedro, que era já platônica com eles dentro de mim, virou absolutamente real no momento em que eu os vi e os ouvi chegando. Me vi instantânea, verdadeira e irremediavelmente apaixonada por aquelas duas coisinhas pequenas, sujas e que choravam rouquinho.
O que muda com o tempo, e talvez fosse disso que me falavam, é que a relação vai ganhando intimidade. No primeiro encontro, como num namoro novo, você não sabe nem muito bem onde colocar a mão. Eles também não sabem como chegar no seu peito. Fica tudo meio estranho eles sem saber onde se encaixar, você com medo de machucá-los.
Mas se você prestar atenção, eles vão te dando todos os sinais de que você precisa para entendê-los. Você aprende que eles chupam a mãozinha quando têm fome, que se espremem com força quando têm cólica e que fazem biquinho quando tem cocô a caminho. Eles te mostram como gostam de mamar, como gostam de dormir, quais os carinhos preferidos. E claro, cada um ensina suas próprias peculiaridades: que o João soluça depois de mamar, que o Pedro vai regurgitar se você ficar mudando ele de posição demais.
Com o tempo, a relação vai ficando mais fácil, e o amor vai ganhando intimidade e profundidade. Você vai se apaixonando cada vez mais, e tudo fica mais relaxado, mais gostoso, mais intenso, mais forte. E olha que eles ainda não têm nem dois meses.
enviada por Pequena
12/10/2006 12:18
Se preocupando no paraíso

Uma coisa que não se pode negar é que a responsabilidade é gigantesca. A preocupação é gigantesca. Tão grande que eu não consigo encontrar um termo de comparação. Nos primeiros dias, pra se ter uma idéia, se eu tivesse que resumir, diria que ser mãe era ter medo. Meu nível de estresse era tal que constava no prontuário dos meninos. Nome: João Nogueira da Costa Lima; nascimento: dia tal; quadro clínico: tal e tal; e no final um asterisco bem grande escrito assim mãe nervosa. Juro. Essa sou eu.
Ou melhor, essa era eu porque a pessoa evolui, e a pessoa mãe (de gêmeos) precisa evoluir rápido. A preocupação continua, mas eu venci barreiras. Já consegui sair de casa sozinha para votar, para ir no salão, comprar uma blusinha na quadra vizinha e até para almoçar com meu amigo Felipe. Veja quanta independência e confiança. Mas o melhor não é isso.
O melhor é voltar pra casa e descobrir que o Pedro passou uma hora reclamando, sem querer ficar no berço. Que ele tomou dois copinhos de leite materno, mas não dormiu. E daí você pega ele no braço, dá dois cheirinhos naquele pescoço cheiroso, oferece o peito por cinco minutos e vê o pequeno abrir o maior dos sorrisos para, em seguida, se entregar aos braços de morfeu. É aí, bem nessa hora, que você tem certeza de que realmente virou mãe.
enviada por Pequena
26/09/2006 11:56
A felicidade cabe nos meus braços
Eles chegaram, e tudo mudou. Minha concepção da vida, minha noção de felicidade, meu sentimento em relação ao mundo. Eu agora sou mãe. O João e o Pedro têm o mundo pela frente, com a certeza do meu amor incondicional e fundamental, do meu amor eterno. Sejam bem-vindos à vida, filhos.
enviada por Pequena
23/08/2006 09:22
Eu me desenvolvo e evoluo com meus filhos
Eles ainda nem nasceram, mas já me ensinaram um bocado de coisas.
- Que sentir dor nem sempre é ruim. Eles apertam minha bexiga, meu estômago, meu pulmão. Às vezes dá pra sentir direitinho um dos dois caminhando pela barriga e imprensando tudo o que está lá dentro. Mas nem é ruim. Na verdade, é ótimo.
- Que estar doze quilos acima do seu peso pode não ter nada demais. Só cansa quando a perna começa a inchar. O melhor é encontrar as pessoas que ainda te dizem que você está super magra.
- As informações puerperais básicas: o que é um cueiro (paninho pra enrolar o bebê), um culote (calça comprida de bebê, com pezinhos), uma concha para seio (com essa, eu choquei: é um plástico que você põe em um peito enquanto amamenta com o outro. Vale dizer: no meu caso, totalmente desnecessário).
- Que existe uma quarta dimensão. Essa descoberta foi profunda. Aprendi quando me disseram para fazer uma ecografia 4D. Eu só conhecia três dimensões até então.
- Que hidroginástica não é coisa de loser. É que eu tenho preconceito contra hidroginástica. Quer dizer, tinha. Meu maior medo na época da natação era ser confundida com uma tia da hidro. Ok, é mesmo um esporte mulherzinha. Mas isso não é necessariamente uma coisa negativa. O que me leva para o próximo quesito.
- Que ser mulherzinha é legal. Eu nunca pensei que fosse, mas é. Não carregar as compras do supermercado, acordar e encontrar o café da manhã totalmente pronto (todos os dias), fazer hidroginástica e passar mais tempo conversando do que malhando. Eu sempre achei isso o fim do mundo. Mas nem é! É maior legal!
- Que as pessoas nem sempre são legais com as grávidas. Algumas são ótimas e te oferecem água, cadeira, abano, o que for. Outras, fingem que não percebem a sua barriga de um metro de diâmetro quando você se aproxima do caixa preferencial. E é preciso reagir contra essas pessoas!
- Que a nossa sensação de controle da vida é absolutamente ilusória. Na verdade, essa é a maior lição da gravidez. Todo o seu esforço para fazer o neném crescer, para ganhar ou perder peso, para ficar bem disposta ou para não inchar, por exemplo tudo isso pode ser totalmente inócuo. Nada disso depende exclusivamente da sua vontade. A gravidez está fora do seu controle porque a natureza está fora do seu controle - assim como a vida. No fundo, no fundo, a gente sempre soube disso. Mas passa a vida inteira fingindo que não.
enviada por Pequena
02/07/2006 19:57
Eu ♥ minha barriga

Alguma vez eu já mencionei aqui que eu fui uma criança e uma adolescente gorda? Umas cinqüenta mil e trezentas vezes, certo? Quem me conhece sabe que essa é uma questão crucial na minha vida. Pra me entender, tem de saber que eu cresci sendo a gordinha da casa, a menos bonita de todas, a que se sentia um peixe fora dágua. Traumas, traumas, traumas quem não tem o seu?
Conseqüência disso é que minha barriga nunca foi a parte preferida do meu corpo. Pelo contrário. Mesmo nas minhas fases mais magrinhas, ela sempre esteve devidamente escondida. Biquine, eu só passei a usar depois dos 20 e tantos até então era só maiô e nunca na vida gostei que me fizessem carinho na barriga. Acesso proibido.
Daí que chegaram o João e o Pedro... e mudaram tudo! Minha barriga nunca foi tão grande quanto é hoje. Há pelo menos dez anos meu peso na balança não é tão alto. E sério: eu amo muito tudo isso.
Bem verdade que lá pelos três meses de gravidez, quando a minha barriga de grávida era aquela coisa indefinida, nem grávida nem gorda, eu passei maus bocados na frente do espelho. Me sentia uma ameba sem forma. Não sabia se usava as minhas roupas (apertadas) ou as roupas recém-compradas de grávida (sacos de batatas).
Mas lá pelos quatro meses e meio, tudo mudou. Ela apareceu, redondinha, com a pele esticada, brilhando, apontando pra frente. Mostrando que meus pequenos ainda tinham muito pra crescer (e ainda têm!). E foi aumentando, aumentando, ao ponto das pessoas na rua já comentarem que tá chegando a hora, hein!.
Nem tá, eu respondo. Falta um bocado. É que a minha barriga é grande mesmo. Grande e linda.
enviada por Pequena
27/06/2006 08:40
Cheiro de café com leite
O cheiro do passado. Um perfume, uma comida, o odor corporal de alguém. Sendo o mais intangível dos sentidos, é impressionante o poder que o olfato tem de penetrar na nossa memória, nos conduzindo vivamente para outra década, outro momento de vida. Um desses meus cheiros afetivos é o de café com leite, que me invadiu de assalto outro dia, dirigindo para o trabalho, e me fez viajar no tempo e no espaço. Leite quente com café ou para ser bem específica, bastante leite com um pouquinho de café, e umas duas ou três colheres de açúcar.
Eu estava no Rio de Janeiro, tinha cinco para seis anos de idade. Tinha viajado sozinha com minha avó, passar uma semana ou um pouco menos, com a nobre incumbência de ser a dama-de-honra no casamento de um primo querido do meu pai. Tudo ali era especial. Eu era a única dama-de-honra do casamento uma convidada de respeito, trazida de outra cidade (o que prova que minha gorduchice sempre teve seu charme). Além disso, foi a primeira e talvez única viagem da minha infância empreendida sem o resto da família. Só eu e minha avó o que por si só não poderia ser mais doce.
Ficamos na casa onde meu pai morou quando era criança, uma casa de vila, numa rua sem saída, no subúrbio do Rio de Janeiro. Que, na época, era habitada pela Tia Poli, uma irmã de minha avó, tão querida, especial e tão avó quanto ela. Casa de velhos, como se sabe, não tem chocolate nem suco no café de manhã tem café e, com sorte, leite quente.
Eu acordava tarde e encontrava as duas irmãs entretidas em animadas conversas, acumuladas pela distância que separava o Rio de Brasília naquela época de telefone caro e comunicações difíceis. Sentava na mesa pequena da cozinha, onde logo me serviam um pão quentinho com manteiga e, em uma xícara de porcelana branca (que eu certamente não teria autorização para manusear na minha própria casa), leite quente com café.
Eu não gostava do gosto. Mas tomava assim mesmo, e com goles pequenos, sentia o sabor amarguinho-doce, e quente, da conversa das duas avós irmãs.
Voltei para Brasília poucos dias depois, trazendo em uma caixa de sapatos com três furos na tampa uma tartaruga que era da Tia Poli. E que me durante meses, ou talvez anos, foi objeto de freqüentes tropicões na cozinha da minha avó. Depois a tartaruga morreu, não me lembro muito bem como. O que me lembro perfeitamente é do cheiro do café com leite quente na xícara grande de porcelana branca.
enviada por Pequena
12/06/2006 19:28
Considerações sóbrias sobre uma mesa de bar
Você não pode beber, seja por que motivo for: está tomando antibiótico, está numa ressaca monstra ou, quem sabe, aguarda a chegada de dois mocinhos que crescem na sua barriga. Apesar disso, por um motivo qualquer, você é levado a uma mesa de bar normalmente para acompanhar seu querido ou querida que não tem nada a ver com sua abstinência e merece tomar suas sagradas cervejinhas nos finais de semana.
Ao final de um certo tempo, quando as pessoas estão mais pra lá do que pra cá, você já não tem mais muito o que fazer na mesa de bar. Os papos estão bem além da sua compreensão de pessoa sóbria e a articulação mandibular dos seus amigos, cada vez mais comprometida. Depois de fazer as unhas em um salão que você encontrou por perto, chega a hora de começar a reparar nas cenas toscas que acontecem na mesa de bar e que ninguém repara porque, como se sabe, todos estão bêbados demais pra isso.
1) As pessoas contam as mesmas histórias de sempre. E isso não é chato (para elas)! Quando bêbados, os amigos pedem para ouvir as mesmas histórias. Eles já sabem o começo, o meio e o fim, conhecem de cor as aspas de cada um dos personagens da história, mas uma hora chega o pedido inevitável: conta aquela!
2) Alguns amigos ficam meio agressivos. Casais têm DRs públicas. Irmãos trocam respostas malcriadas que você não ouvia desde a quinta série. Amigos brigam para ver quem conta aquela história engraçada. Um corrige o outro no meio do caso, na maior descortesia: não foi nada disso!.
3) Outros amigos ficam sedutores. Falam abobrinha até pro poste. Ignoram que o alvo escolhido é uma grande amiga desde o segundo grau. Ou que a moça em questão é feia. Ou, pior, tem quatorze anos.
4) As pessoas fazem em público o que a Danusa Leão mandou não fazer nem dentro do banheiro com a luz apagada. Palitam os dentes, coçam as partes íntimas, cruzam e descruzam as pernas sem se importar muito com a visão privilegiada de quem está na mesa ao lado. Em outras palavras, perdem completamente a compostura.
5) Seus amigos contam segredos em voz alta achando que ninguém está ouvindo. Cometem o velho erro de falar alto demais, como todos os bêbados. Só que, entre amigos, vez ou outra caem na tentação de contar uma história mais íntima, dividir um segredo mortal. Sem perceber, dividem o segredo mortal com a mesa inteira.
6) Toda e qualquer boa história na mesa de bar é contada não uma mas, no mínimo, três vezes. Na primeira, todo mundo ri muito. Ainda durante a primeira gargalhada, o a história é contada numa versão resumida. Ao final, apesar de já conhecer como o caso termina, todo mundo ri de novo. E, só para não perder a viagem, o detentor da palavra repete uma última vez a frase de efeito da história. É a terceira vez, mas ainda tem gente que ri de novo. Sério. Haja cerveja.
enviada por Pequena
05/05/2006 22:00
Pensamentos de abril
É o que acontece toda vez que a gente não é sincero: fica tudo fake e fica tudo uma droga.
Eu resolvi que não era porque eu tinha virado mãe que eu ia virar só mãe. Resolvi que não queria ser uma pessoa assunto-único. E me proibi de falar, escrever e pensar compulsivamente sobre a gravidez e sobre o João e o Pedro. A velha estratégia de assobiar, olhar pro lado, e fingir que nada de tão grave assim está acontecendo. Mas o resultado é que este blog está abandonado há quase um mês. E, claro, a minha auto-censura não adiantou nada porque eu continuo falando, pensando e escrevendo (em segredo) compulsivamente sobre eles.
Daí resolvi quebrar minha própria promessa e deixar fluir minhas elocubrações gestacionais. A conclusão de que ficar grávida realmente muda tudo. E nessa hora soa um alarme pela frase-clichê que acabei de escrever. Mas agora vem outra menos clichê: o tudo que muda, na verdade, não é quase nada do que a gente está acostumado a ouvir sobre a gravidez. Os efeitos dos hormônios no nosso corpo, a emoção do coração do neném no ultrassom, os enjôos tudo isso é ótimo, mas está longe de ser o mais importante. Carregar um neném na barriga (ou dois, no meu caso) é mais profundo, maior, mais emocionante e, sejamos sinceros, também muito mais apavorante do que o que está nos manuais.
É estar 24 horas por dia fisicamente colada, e ser integralmente responsável por aquilo que há de mais importante na sua vida. É ver todo o resto virar segundo plano. Eu me preocupo não só com aonde colocar a perna na hora de dormir, mas também com os pensamentos que passam pela minha cabeça e as reações químicas do meu corpo. Me concentro para sentir as vibrações que os meus filhos emitem na minha barriga desde que eles são do tamanho de uma ponta de lápis, e que ninguém acredita, mas eu sinto.
Perco o sono pensando em como continuar sendo uma pessoa autônoma e livre com duas pessoas totalmente dependentes de mim e como não acabar me viciando nisso. Me preocupo em ser cada dia mais forte e, ao mesmo tempo, mais verdadeira e humana, para que o João e o Pedro entendam como é o mundo e como a gente deve lidar com ele. Sinto saudade e sinto orgulho tanto, que às vezes é até feio.
Foi mais ou menos nessas coisas que eu passei o último mês pensando.
enviada por Pequena
06/04/2006 17:01
As grandes ocasiões
Chamo de grandes ocasiões os momentos perigosos em que estamos cheios de dor ou de vaidade, em que sofremos a tentação de achar que fracassamos ou triunfamos, em que nos sentimos umas drogas ou muito bacanas. Cuidado, Maria, com as grandes ocasiões.
Eu tinha 16 anos, estava no segundo ano e tinha aula de filosofia. De tudo o que eu deveria ter aprendido nessa matéria, eu aprendi esse trecho aí de cima. No livro de filosofia tinha um texto do Paulo Mendes Campos que se chamava Para Maria da Graça.
Escrito na forma de uma carta para uma menina que está completando quinze anos, o texto faz uma analogia com a história da Alice no País das Maravilhas. Lembra dos momentos em que Alice comeu um bolo e ficou muito, muito grande. E depois, quando ela bebeu um líquido, e ficou bem pequenininha, e quase se afogou no lago de lágrimas que ela tinha chorado. E nos lembra que devemos ter muito cuidado com as grandes ocasiões: quando estamos enormes e quando estamos bem pequenos.
Penso nisso sempre especialmente nos momentos em que comi o bolo e estou bem grandona. Quando caio na tentação de achar que, agora, sim, eu aprendi a viver. A gente é assim mesmo: vira e mexe, amadurecemos um pouco e caímos na tentação de olhar pra trás com um certo orgulho do degrau que conseguimos subir. Agora, sim, eu sei como é amar de verdade. Agora, sim, eu priorizo o que realmente importa. Agora, sim, eu tenho uma vida equilibrada.
É mesmo preciso ter muito cuidado com as grandes ocasiões. Toda certeza absoluta está pedindo pra ser desmascarada.
enviada por Pequena
06/03/2006 19:00
O segredo e a mentira

Não me julga, por favor. Você também faz isso. Sabe-se lá por qual segredo, mas faz. Eu talvez sempre tenha feito, mas só agora passei a admitir abertamente. Eu minto para preservar um segredo.
Tudo aconteceu quando eu suspeitava que estava grávida e fui para um eventinho samba-suor-e-cerveja: um desfile de bloco de Olinda. Não, eu não passei o carnaval em Olinda. O bloco era de Olinda, mas o desfile foi em Brasília mesmo, uma semana antes do carnaval. Eu suspeitava que estava grávida e fui pra um eventinho alcóolico em que todas as pessoas (menos o meu amigo Felipe, que estava se economizando por alguma gata) bebiam alucinadamente. Óbvio, eu fiz companhia ao meu amigo Felipe, pela razão (ou melhor, pelas duas lindas razõezinhas, como agora eu sei) que já declinei. Só que eu ainda não tinha certeza de que estava grávida eu só desconfiava. E não queria contar para ninguém, para evitar um frenesi prematuro. Então eu menti.
Não sei os seus amigos, mas os meus bebem. Muito. Não só bebem como te incitam a beber também. Acho que eles não são amigos de ninguém que não bebe, a menos que seja por um bom motivo. Então eles me acossaram logo que me viram acompanhada de um inofensivo suquinho de caju. Mas não tá bebendo? Por que?!?!.
Eu já tinha pensado na desculpa antes (quem precisa proteger um segredo, precisa se precaver). É porque eu estou tomando antibiótico. Sério?! Mas por que?! Ah, a curiosidade humana... Não é sua culpa: você precisa continuar a mentira. E é aí que você ganha gosto pela coisa. Inventei uma infecção urinária. Foi a coisa menos grave, mais encurtadora de papos e sem sintomas aparentes que eu pude pensar. Minhas amigas ficaram preocupadas. À toa, porque eu nem estava com infecção urinária. Era mentira. E hoje eu confesso isso a todas elas, rindo à beça, sem nem ficar vermelha.
Eu minto para preservar meus segredos. Assumi isso e passei a viver melhor. Auto-preservação é qualidade de vida, beibe. As pessoas às vezes perguntam demais.
enviada por Pequena
01/03/2006 20:20
Respostas às suas perguntas
.: Não são duas fotos de um bebê. É uma foto de dois bebês. E os dois moram dentro da minha barriga, ao mesmo tempo, há exatas oito semanas.
.: Tem mais ou menos uma semana que a gente descobriu. Sumi daqui porque estava muito ocupada comemorando (e enjoando).
.: Não, eu não fiz tratamento. Minha família tem um bocado de casos de gêmeos.
.: Vai caber, sim. Eu sou pequena, mas tenho experiência em barrigas grandes. Agora pelo menos é por um ótimo motivo.
.: Não, não estou com nenhum pingo de medo da trabalheira. Será a trabalheira mais bem-vinda do mundo.
.: Ainda não sabemos se são duas meninas, dois meninos ou um de cada. O que eu sei é que se forem mais duas meninas eu acho que meu pai tem um troço. Mas depois ele se acostuma. Ele já se acostumou a mim e às minhas três irmãs.
.: O Beto está ótimo, está que não se agüenta de tanta felicidade. Ele já leu todos os sites de gravidez do mundo, em todos os idiomas.
.: Não é impressão sua, eles são mesmo os pequenos bebês mais fofos do universo. Olhando assim a foto, eu até acho que eles são também os mais espertos e inteligentes e estão batendo altos papos nesse exato momento.
.: E sim: eu sou a mulher mais feliz do mundo.
enviada por Pequena
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